Quanto custa sua felicidade??

Esses dias, enquanto fazia minha declaração de imposto de renda, parei para pensar em algumas coisas que me pareceram interessantes e que demonstram nossa desconexão com a realidade no tocante ao dinheiro que precisamos para sobrevivermos e sermos felizes.
O exercício foi o seguinte: multiplique o número de anos que já trabalhou pelo valor da renda bruta anual recebida em 2017. Com certeza esse valor é bem maior que a realidade, pois os primeiros salários possivelmente foram bem menores nos primeiros anos, mas fique com esse resultado.
Quanto mais tempo já tiver trabalhado maior poderá ser a diferença entre os primeiros e os últimos salários e maior a discrepância no total obtido.
Agora pense em tudo que já construiu nessa vida: um carro, uma casa, um filho criado, faculdade paga, uma viagem ao exterior, dentistas, médicos, uma reserva financeira, etc. Tudo o que ganhou até hoje serviu para construir aquilo que você chama de vida e tudo isso foi obtido com um valor supostamente menor do que o calculado no início do exercício. Quando olhamos para esse número, percebemos quase sempre que ele é muito menor do que nossa expectativa de “necessidade” para o próximo ciclo. Isso é porque muitas vezes esquecemos que vamos precisar de dinheiro apenas até o momento de nossa morte e que no dia seguinte o que sobrar somente será útil àqueles que forem nossos sucessores legais, ou em sua falta, o Governo.
Ao longo dessa vida, o direcionamento dos recursos obtidos vai mudando: os gastos com educação terminam com a conclusão dos cursos, a aquisição de casa própria quase sempre é um processo que tem início, meio e fim, dependendo da forma utilizada na aquisição e de nossa satisfação com o que foi adquirido, os filhos crescem e vão em busca de seus sonhos. O mesmo vale para veículos, móveis, e outros inúmeros passivos que julgamos imprescindíveis à nossa felicidade.
Também à medida que envelhecemos, uma parte desses recursos será destinado a médicos e despesas médicas, e quanto maior foi nosso descaso em relação à nossa saúde possivelmente maior será essa demanda, o que poderá comprometer alguns de nossos planos referentes a uma velhice serena e feliz. Isso pode ocorrer mesmo que consideremos ter nascido com uma herança genética saudável.
Agora para finalizar, considere que os filhos estão criados e que o sonho da casa própria foi realizado e que você já viveu mais de 50% daquilo que considera uma boa expectativa de vida. Possivelmente você não precisará nem de 50% do valor inicial para ter dias felizes e agradáveis até o final, e tudo aquilo que conseguir economizar poderá ser eventualmente gasto para realizar algum velho sonho. Calcule a renda mensal necessária para obter esse valor ao longo dos meses que espera viver e se o número for compatível com a renda atual, então seja feliz hoje, porque mais dinheiro talvez não vá mudar nada.
E, finalmente, reserve um tempo para ajudar aqueles que ainda não chegaram lá, seja por falta de dinheiro, seja por não terem descoberto que a felicidade está dentro de cada um de nós e não é o dinheiro que vai ajudar a descobri-la.

Um ótimo domingo a todos!!!

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